
A Associação dos Futebolistas Profissionais (PFA) da Inglaterra anunciou os melhores da temporada segundo os próprios jogadores. Gareth Bale, do Tottenham, leva o prêmio geral, e Jack Wilshere, do Arsenal, é o melhor jovem. Há uma semana, a coluna se posicionou sobre isso. Bale entra no restrito grupo de galeses que receberam o troféu: Ian Rush, Mark Hughes e Ryan Giggs são os outros. Não é pouco, não.
O problema é que o prêmio a ele não faz sentido. Até Nani, que nem sequer foi indicado, merecia mais. Bale teve três meses brilhantes, mas caiu muito. O português, por sua vez, faz temporada bem mais sólida. Em 2009-10, o Manchester United utilizava à exaustão o esquema com ele e Valencia. Após a lesão do equatoriano, Nani passou a ser o único do time capaz de quebrar defesas com jogadas individuais.
Como, à exceção de Giggs, ninguém faz boa temporada entre os meio-campistas, o luso teve de abraçar todas as responsabilidades de criar jogadas. Ele respondeu à pressão com nove gols e incríveis 18 assistências na liga. Bale, da mesma posição, marcou sete vezes e tem só um passe decisivo. Números podem iludir, mas, neste caso, ajudam muito na hora de estabelecer o tamanho da contribuição de um jogador a seu time.
Dois problemas na escolha são bem claros: a eleição é feita em março (dois meses antes do fim da temporada, portanto), e os jogadores tendem a votar em quem causou mais impacto. Ora, quem teve as melhores atuações individuais do futebol inglês em 2010-11? Bale, é claro. Só que uma lesão nas costas interrompeu aquela excelente forma que a gente viu especialmente nos confrontos contra a Internazionale pela Champions. Ele não tem nenhum jogo espetacular neste ano.
No prêmio de melhor jovem, há outra controvérsia. Wilshere é, certamente, a “revelação” do ano. Mas qual é o conceito da votação? Nani, com 24 anos, concorreu porque tinha 23 ao início da temporada. Foi mais importante que Wilshere, mas nada tem de revelação. Pelo visto, não se elege simplesmente o melhor, mas aquele que despontou ou, em último caso, evoluiu muito em relação ao ano anterior. Daí, não seria o caso de derrubar a idade-limite?
As incoerências não param aí, mas a coluna vai deixar outras considerações para o fim de 2010-11.